Caminhei à beira rio, num dia em que nada me parecia completar, nem um pedaço de chocolate que devorei por força...
Tentei perceber o que se passava comigo.
Porque me estou a negar a tudo?...
Porque não me nasce o sorriso?...
O que é que me faz falta?...
Quero viver num sentido...
Quero fugir do perigo...
Quero ficar, onde estava...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Do nada surgem-me sempre palavras. Mas pela primeira vez. Correram só lagrimas...Acho que nunca ninguem tinha escrito algo assim para mim...Nao sei se deveria agradecer..Agradeço o facto de existires..Agradeço o facto de me teres amado como amaste. De me teres dado o que deste...De seres o que és..Se eu encontrar a tua menina...Eu dir-lhe-ei isso tudo..Prometo-te...Gosto muito de ti..Obrigada por teres feito o que sempre julguei impossivel..Escrever..Quando aquilo para que nasceste foi, pintar..
Um beijinho..
Um beijinho..
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Eu e tu, diferentes de nós.

Um dia vi-te, senti-me um arrepio, um bater mais forte, senti, um sentir-me estranha.
Uma vez, beijei-te...a medo!
O primeiro beijinho alguma vez dado, com sentimento.
Abraçaste-me, e eu permaneci ali...nos teus braços...
Sabes o que é, sentir que pertences a algum lado?
Pois bem, eu, sem saber nada de nada, pertenci ali...Pertenci-te!
Um tanto ou quanto, para sempre...
Passámos dias em que nem víamos o sol...em que nem ouvimos o tempo lá fora...
Dias em que nem ligávamos a televisão.
Eram dias que eu passava deitada ao teu lado, a olhar-te, e a perceber este sentimento que me era estranho...
E dias, dias que eu passava ao pé de ti, simplesmente sem ter nada para dizer...
Olhavas-me e eu sorria um sorrir envergonhado, que ainda hoje tenho...meramente escondido por vezes.
E eram dias, que eu esperava ansiosamente por ti...
Em que corria para o portão, só para te ver descer as escadas...só para ser a primeira pessoa entre a multidão, a dar-te os bons dias.
Alguns dias, passados no final da tarde, a partilhar momentos, a partilhar vidas.
A tua, bem mais interessante que a minha...Tu dizias-me: - " Em pequena, levei uma sova de um carneiro!"
E eu ficava com uma cara tipo, uau.
E pensava, a mim quem me dava sovas eram os meus pais...
E rias. Talvez da minha expressão. E sem saber, não percebia porquê. Teve piada?
Então, acredita que teve bem mais piada a tua memória, a minha foi banal.
Dias foram passando...
E deixámo-nos levar, pelo sentimento, pelo tempo, pelos dias.
E numa noite diferente das outras, fiz um momento ser especial e como sendo a primeira vez que o ia dizer a sério, perguntei:
- " Queres namorar comigo?"
Foi a valer...foi a sentir!
Foi um, "queres namorar comigo?" quase sem se ouvir...
Era escuro, mas eu vi o brilhozinho no teu olhar e isso deixou-me num êxtase profundo.
Juntas, sobre uma noite de céu estrelado, o calor fazia-se sentir... eu até suava!
Estava ansiosa, nervosa...
Mas nos teus braços senti a calma que precisava ter.
Deste-me tudo o que nesta vida se pode dar...Foste tudo o que nesta vida se pode ser...
Ouviste tudo de toda a gente. Críticas, palavras duras, avisos prévios sobre a minha pessoa.
E hoje, dou-lhes razão. A todos.
Porque eu não te mereço. Não te mereço nem um bocadinho...
Não mereço os teus olhos que só sabiam olhar para mim...Não mereco a tua expressão de felicidade ao veres-me...
Não mereco os sorrisos que te provoquei! Porque a seguir...foi uma lágrima que lá deixei...Duas vezes!
Fizeste, aquilo que ninguém fazia.
Foste forte quando tiveste de ser, choraste quando teve de ser...Mas ergueste-te!
Abriste-me os braços numa altura em que mais precisei. Apoiaste-me.
E quiseste-me de volta...cuidaste, como ninguém.
Depois de tudo, se isto não é amor, então nesta vida tudo é mentira.
Mas eu sei, que apesar da pessoa horrivel que fui para ti, eu sei que amanhã, mesmo sem te ver, tu vais erguer-te novamente!
Passaram 3 meses em que não me dirigiste a palavra nem querias ouvir falar de mim...
3 meses, que todos os dias pensei se estarías bem..
3 meses de saudades da tua pessoa.
E hoje, eu sei que irão passar muitos mais meses, talvez anos.
Culpa minha pensar que sou sempre criança e tenho desculpa por todos os erros que cometo.
Não vou dizer, desta vez perdi-te.
Vou dizer, desta vez, libertei-te de mim...
Porque eu não te faço bem...Eu não te trago a felicidade...
Só lágrimas de sangue...Digo sangue, porque sei que estas te ficam marcadas na pele...
Gostava só que, se conseguires..
Que guardasses um sorriso meu dentro de ti...Dos meus mais sinceros...
Daquela tua menina, como gostavas de me chamar...
Porque eu, vou guardar os teus todos. Vou guardar-te sempre dentro de mim...
Nesta vida, e na próxima...
E vou guardar, todos os teus olhares doces, todas as tuas palavras bonitas, ou mesmo aquelas de atenção.
Vou guardar o teu abraço fechado...
Vou guardar todos os teus beijos. E vou guardar na minha lembrança, a recordação de um fechar de olhos, de uma expressão de carinho, e de um beijo, apaixonado.
Vou guardar-te.
E à beira rio, irei marcar numa pedra, embora já demarcada pelos anos de água a passar, vou marcar a tua pessoa lá, vou marcar a minha pessoa lá, e vou marcar, isto tudo que tivemos e passámos...
Para que nunca se perca, para que nunca se esqueça...
Esta, é a nossa história. Resumida..Mas nossa!
Tem apenas os bons momentos, porque disseram-me que são esses que valem a pena serem recordados.
Um desejo...
A maior sorte do mundo...
Que a vida me leve a ti, talvez um dia, indeterminado...sem data.
Mas que me leve...
E que eu, te veja com aquele sorriso que muda o dia de alguém...
Desculpa não conseguir dar continuidade à nossa história...
Se o erro foi meu, e só meu...perdoa-me...
Um adeus, porque conheço-te, e sei que não é um até amanhã..
Eu nunca te esquecerei..
Gosto muito...muito de ti...
(Sempre disseste que eu não escrevia nada para ti...Espero então, que não tenha sido tarde demais..)
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Ai do vento !

São as saudades que nos trazem as tristezas.
É o passado que nos dá nostalgia.
E é o mar, que tem sempre as marés presas.
Àquela praia onde inventámos a alegria.
São os meus olhos que não guardam o cansaço.
De querer sempre, sempre amar até ao fim.
E toda a vida é um poema que não faço.
Que se pressente na paixão que trago em mim.
Ai do vento, ai do vento.
Que transparece lamentos.
Da minha voz sem te ver.
Ai do mar, seja qual for.
Que me recorda um amor.
E não mo deixa esquecer.
É sempre calma, ou quase sempre a despedida.
É sempre breve, ou quase sempre, a solidão.
E é esta calma que destrói a nossa vida.
E nada é breve nas coisas do coração.
Ai do vento, ai do mar e tudo o mais.
Que assim me arrasta e que me faz viver na margem.
De um rio grande onde navegam os meus ais.
E onde a vida não é mais que uma viagem.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Em busca das palavras
Ás vezes, oiço o vento passar.
Vejo as suas formas, sinto o seu sabor...Grito-lhe, mas ele não deixa passar o eco.
Ás vezes, oiço o mar.
Pego as conchas onde não tenho pé...Abro os olhos na água salgada, e sinto o doce sabor do sal.
Por vezes, ponho a mão no céu, agarro as estrelas, puxo o sol com as minhas mãos frias, que nem ele consegue aquecer.
Ás vezes, apanho uma pedra e dou-lhe vida. Dou-lhe alma. Dou-lhe palavras!
Ás vezes, faço crescer uma lágrima no sorriso, faço uma planta germinar, faço uma estrada não ter fim, e faço a lua ficar sentada no chão, de pernas cruzadas!
Mas nem sempre sonho acordada, nem sempre como quando tenho fome.
Nem sempre faço o que tem de ser feito.
Sorriu quando não pode ser, choro quando não pode ser, e sou assim!
Mas quase sempre estou errada, digo não...e sou mimada!
Mas, faço-me sorrir e toda a gente me perdoa...toda a gente me dá a mão, me levanta e faz crescer.
E nisto, sou uma música, sou um livro, um lugar, um pensamento, um desejo. Sou um objecto, um caminho por vezes sem sentido próprio. Sou uma noite de chuva, um dia de sol...ou uma tarde de ventania. Sou uma página, sou uma nota musical, uma memória ou uma gota de água...um raio de sol, ou uma brisa.
Ou sou apenas um quadro de parede, com uma imagem desfocada, numa parede branca, com relevo.
Posso ser o teu cachecol?
Ou as luvas que não usas...
Podia ser o teu relógio que tanto adoro, e dir-te-ia as horas todos os dias...sem excepção!
Ou podia ser o teu telemóvel, e o meu nome na tua lista de contactos...
Podia ser o teu rasgo de sorriso..ou o brilho no teu olhar.
Deixavas-me ser o teu abraço?
Deixavas-me ser o teu beijo?
Deixavas-me ser os teus passos?
Os teus gestos todos, num só?
Deixavas-me ser o teu calor, nas noites frias?
Ou só a tatuagem da nossa vida, que não se vê na tua pele?
Deixavas-me reconstruir um sonho?
Deixas?
Deixa-me então dar-te o que sou, agora, hoje.
Um abraço, um sorriso. Um abrigo. Teu...
Vejo as suas formas, sinto o seu sabor...Grito-lhe, mas ele não deixa passar o eco.
Ás vezes, oiço o mar.
Pego as conchas onde não tenho pé...Abro os olhos na água salgada, e sinto o doce sabor do sal.
Por vezes, ponho a mão no céu, agarro as estrelas, puxo o sol com as minhas mãos frias, que nem ele consegue aquecer.
Ás vezes, apanho uma pedra e dou-lhe vida. Dou-lhe alma. Dou-lhe palavras!
Ás vezes, faço crescer uma lágrima no sorriso, faço uma planta germinar, faço uma estrada não ter fim, e faço a lua ficar sentada no chão, de pernas cruzadas!
Mas nem sempre sonho acordada, nem sempre como quando tenho fome.
Nem sempre faço o que tem de ser feito.
Sorriu quando não pode ser, choro quando não pode ser, e sou assim!
Mas quase sempre estou errada, digo não...e sou mimada!
Mas, faço-me sorrir e toda a gente me perdoa...toda a gente me dá a mão, me levanta e faz crescer.
E nisto, sou uma música, sou um livro, um lugar, um pensamento, um desejo. Sou um objecto, um caminho por vezes sem sentido próprio. Sou uma noite de chuva, um dia de sol...ou uma tarde de ventania. Sou uma página, sou uma nota musical, uma memória ou uma gota de água...um raio de sol, ou uma brisa.
Ou sou apenas um quadro de parede, com uma imagem desfocada, numa parede branca, com relevo.
Posso ser o teu cachecol?
Ou as luvas que não usas...
Podia ser o teu relógio que tanto adoro, e dir-te-ia as horas todos os dias...sem excepção!
Ou podia ser o teu telemóvel, e o meu nome na tua lista de contactos...
Podia ser o teu rasgo de sorriso..ou o brilho no teu olhar.
Deixavas-me ser o teu abraço?
Deixavas-me ser o teu beijo?
Deixavas-me ser os teus passos?
Os teus gestos todos, num só?
Deixavas-me ser o teu calor, nas noites frias?
Ou só a tatuagem da nossa vida, que não se vê na tua pele?
Deixavas-me reconstruir um sonho?
Deixas?
Deixa-me então dar-te o que sou, agora, hoje.
Um abraço, um sorriso. Um abrigo. Teu...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ontem foi o dia em que te vi…peguei em ti e coloquei-te na cama, a minha avo já não tem forca, deitei-te, e juntei a minha mão ao teu rosto, senti a tua respiração, com medo que aquele segundo fosse o ultimo que a sentisse..
Olhaste-me sem intenção..
Mas nao falaste. As lágrimas foram-nos caindo pelo rosto.
Em silêncio dei-te a mão…apertei-a! E tu sentiste que eu estava ali, para o que desse e viesse..
Nunca dei atenção, a tudo o que tu me deste...Aos valores que me passaste, a forma como me educaste, e me fizeste ser a pessoa que sou hoje.
Sempre sorri com a alma, porque tinha tudo, porque te tinha.
Não consigo imaginar-me sem ti...Mas muito menos ver-te sem comer, e a sofrer numa cama...
É incrível como tantas as vezes que estive contigo, de tantas as conversas que tivemos, e mesmo assim não conseguiste contar-me a tua vida toda.
Confesso que 89 anos de vida tem muita vivencia, lembro-me de me contares uma parte em que dizias, Cheguei mesmo a andar só com um vestido, e a tua avo ter tudo..
Sempre te admirei, e nunca to disse.
O que mais me custou foi que, vi-te em 19anos da minha vida, mas nunca te vi numa decadência deste tipo.
Foste forte em todos os sentidos…Assustava-me quando te vinha procurar na casa da avó, e ela me dizia que tinhas ido pregar pregos para a tua casa, ou que a tinhas ido pintar...ia a correr ver onde estavas, e apanhava-te em cima de um escadote!
Sempre foste teimosa como eu...e talvez esta parecença de teimosia, que te fez adorar-me em todos os meus momentos, desde criança...desde sempre...
Escrevo para te lembrar, mesmo sabendo que te lembrava se não soubesse escrever.
Fazia qualquer coisa, tudo, para voltar a ver aquela tua forca, aquele teu sorriso que me fazia crescer a lágrima no canto do olho.
Abdicava de tudo o que tenho, de tudo o que pudesse ter no futuro, para te ter ao meu lado, para sempre…
Hoje dei-te o jantar, enquanto to dava, via-te soluçar como nunca vi.
Abrias tanto os olhos, que o meu coração saltava batimentos com tanto medo de te perder..
Mas surpreendes-me sempre...Nem doente, nem assim te consigo fazer comer os espinafres...realmente, tu nunca mudas..
Agora estou a deixar-te adormecer...Pareces um querubim que só faltava ter asas para ser um anjo, como diz a Sílvia..
Nisto, gostava de ter palavras…e não ter só sentimento, gostava que acordasses agora, para eu te dizer o quanto gosto de ti, o quanto me fazes falta..Mas, tenho medo de te acordar, e depois eu tenha que ir, e tu custes a adormecer..
Tu sabes que só há duas coisas que me tiram o sorriso e a alegria de viver, se me faltarem.
Uma delas e o tal desporto que , apesar de dizeres que e de rapaz, sempre gostaste que te falasse dos meus jogos, e quando íamos na rua e as pessoas me viam contigo, diziam, a sua bisneta e a maior futebolista daqui. apesar de eu não ter muita idade, só não via quem não queria, o orgulho que tu transportavas em mim..sempre tentei que me fosses ver jogar, mas a vida nunca deixou..e agora que te vejo..penso que ela não deixou porque secalhar eu nunca insisti..e arrependo-me tanto..
E a outra coisa és tu.
Não és aquela pessoa importante na vida de alguém, tu és a vida de alguém...Tu não és só o carinho que sinto por ti. Tu és todos os meus sorrisos, diários, semanais, mensais.
Tu és as lágrimas que choro de felicidade, és a alegria de marcar um golo desejado.
No entanto, és a minha fraqueza...o meu maior medo.
Ontem, estava longe. Quando a avo me liga as 11 da noite e pergunta se estou acordada, disse-lhe que sim, mas que não estava em casa…ela diz-me que se me quisesse despedir de ti, tinha de ir ter contigo agora…Eu estava a 150km de distância..o aperto que só eu senti..morri por dentro naquele momento..
Desesperei sem dizer, não manifestei por querer…o choro veio sozinho.
E hoje digo que tenho medo de te perder, e de não estar ao pé de ti quando acontecer.
Eu hoje sorriu, mesmo por cima da angustia que sabes que sinto por te ver assim…por te sentir assim.. mas sabes que esta alegria que esta colada a minha pele, que me faz ser a criança de 5anos que sou.. que a vais levar contigo, para onde quer que vás..
Pergunto se será por isso que tens tanto medo de me deixar..
nunca conheci ninguém que tivesse tanto medo de morrer..tal como eu..tal como tu..
Continuo a olhar para ti e penso, eu agora tenho o poder de te pedir para acordares, e tu acordas, ainda agora te olhei, pedi para mim, tu sentiste e acordaste…estranho? não sei...mas e amanha? Amanha quando eu te vir e pensar que estas a dormir, quando eu te pedir para acordares e tu não me fizeres a vontade? Como vai ser ?
Não me deixes...
No meio disto tudo, pedia para te dar um bocadinho da minha forca… tu não te negas a viver, simplesmente tu não consegues..não tens o que te puxe..eu não te chego..
Mas acredito que se fosse antes, tu conseguias..e superavas tudo..
Sabes o que e, teres alguém que gosta de mim, mais do que a si próprio? alguém que faz das tripas coração só para me ver sorrir..para me dar tudo o que eu necessitava..
tu passavas noites a chorar por pensar que eu passava fome.. Tu ficavas horas a contar o dinheiro para saber se ele chegava para acabar o meu curso…para eu ser alguém..
E hoje, antes de ir ao teu encontro, passei onde ontem, eu era criança…olhei as palmeiras. Relembrei um jardim, e lembrei um lugar onde antes haviam bancos.. Vi uma arvore que já não existe, lembro-me de me lembrar que tinha resina, e eu ainda não sabia o que era..ate te perguntar e dizeres em linguagem de menina, que era o sangue da arvore..
Este e talvez um dos sítios, onde se me perguntarem, não posso negar que cresci ali..
Agora antes de passar a tua casa, vi a tua rua.. a calcada onde fiz feridas que sararam depressa, com a tua ajuda..onde andei horas a sorrir e a pedalar quando ganhei a minha primeira bicicleta..dada por ti..
Entrei no café onde gosto tanto de ir dar um beijinho aquelas pessoas que me viram crescer.
Entretanto, encontrei o avo…falei-lhe e disse, vou agora dar-lhe o jantar lá a casa, ele olhou para mim, e disse-me que tinhas ido novamente para o hospital…que estava lá desde manha..
Nisto, apressei o passo..fui ter com a avo, e deparei-me com ela num choro interminável..pensei o pior..e ela disse me que se não melhorares ate as 9 e meia da noite..que tens de ir para Évora..
eu não sabia de nada..ninguém me diz nada..como e que eu posso andar descansada sabendo que andas a sofrer assim?
eu quero-te sempre perto de mim..tu sabes.. mas, não me pecas para entender o que e ver-te a sofrer numa cama..a ver que vais para o hospital a toda a hora levar soro.. a ver que não tens melhoras.. e eu não posso fazer nada.. estou impotente ao mais alto nível..nem a minha presença te faz sorrir já.. porque não consegues mexer os músculos da cara para o fazer..eu compreendo..
Entende só...
Eu adoro-te.
Não me deixes..
Olhaste-me sem intenção..
Mas nao falaste. As lágrimas foram-nos caindo pelo rosto.
Em silêncio dei-te a mão…apertei-a! E tu sentiste que eu estava ali, para o que desse e viesse..
Nunca dei atenção, a tudo o que tu me deste...Aos valores que me passaste, a forma como me educaste, e me fizeste ser a pessoa que sou hoje.
Sempre sorri com a alma, porque tinha tudo, porque te tinha.
Não consigo imaginar-me sem ti...Mas muito menos ver-te sem comer, e a sofrer numa cama...
É incrível como tantas as vezes que estive contigo, de tantas as conversas que tivemos, e mesmo assim não conseguiste contar-me a tua vida toda.
Confesso que 89 anos de vida tem muita vivencia, lembro-me de me contares uma parte em que dizias, Cheguei mesmo a andar só com um vestido, e a tua avo ter tudo..
Sempre te admirei, e nunca to disse.
O que mais me custou foi que, vi-te em 19anos da minha vida, mas nunca te vi numa decadência deste tipo.
Foste forte em todos os sentidos…Assustava-me quando te vinha procurar na casa da avó, e ela me dizia que tinhas ido pregar pregos para a tua casa, ou que a tinhas ido pintar...ia a correr ver onde estavas, e apanhava-te em cima de um escadote!
Sempre foste teimosa como eu...e talvez esta parecença de teimosia, que te fez adorar-me em todos os meus momentos, desde criança...desde sempre...
Escrevo para te lembrar, mesmo sabendo que te lembrava se não soubesse escrever.
Fazia qualquer coisa, tudo, para voltar a ver aquela tua forca, aquele teu sorriso que me fazia crescer a lágrima no canto do olho.
Abdicava de tudo o que tenho, de tudo o que pudesse ter no futuro, para te ter ao meu lado, para sempre…
Hoje dei-te o jantar, enquanto to dava, via-te soluçar como nunca vi.
Abrias tanto os olhos, que o meu coração saltava batimentos com tanto medo de te perder..
Mas surpreendes-me sempre...Nem doente, nem assim te consigo fazer comer os espinafres...realmente, tu nunca mudas..
Agora estou a deixar-te adormecer...Pareces um querubim que só faltava ter asas para ser um anjo, como diz a Sílvia..
Nisto, gostava de ter palavras…e não ter só sentimento, gostava que acordasses agora, para eu te dizer o quanto gosto de ti, o quanto me fazes falta..Mas, tenho medo de te acordar, e depois eu tenha que ir, e tu custes a adormecer..
Tu sabes que só há duas coisas que me tiram o sorriso e a alegria de viver, se me faltarem.
Uma delas e o tal desporto que , apesar de dizeres que e de rapaz, sempre gostaste que te falasse dos meus jogos, e quando íamos na rua e as pessoas me viam contigo, diziam, a sua bisneta e a maior futebolista daqui. apesar de eu não ter muita idade, só não via quem não queria, o orgulho que tu transportavas em mim..sempre tentei que me fosses ver jogar, mas a vida nunca deixou..e agora que te vejo..penso que ela não deixou porque secalhar eu nunca insisti..e arrependo-me tanto..
E a outra coisa és tu.
Não és aquela pessoa importante na vida de alguém, tu és a vida de alguém...Tu não és só o carinho que sinto por ti. Tu és todos os meus sorrisos, diários, semanais, mensais.
Tu és as lágrimas que choro de felicidade, és a alegria de marcar um golo desejado.
No entanto, és a minha fraqueza...o meu maior medo.
Ontem, estava longe. Quando a avo me liga as 11 da noite e pergunta se estou acordada, disse-lhe que sim, mas que não estava em casa…ela diz-me que se me quisesse despedir de ti, tinha de ir ter contigo agora…Eu estava a 150km de distância..o aperto que só eu senti..morri por dentro naquele momento..
Desesperei sem dizer, não manifestei por querer…o choro veio sozinho.
E hoje digo que tenho medo de te perder, e de não estar ao pé de ti quando acontecer.
Eu hoje sorriu, mesmo por cima da angustia que sabes que sinto por te ver assim…por te sentir assim.. mas sabes que esta alegria que esta colada a minha pele, que me faz ser a criança de 5anos que sou.. que a vais levar contigo, para onde quer que vás..
Pergunto se será por isso que tens tanto medo de me deixar..
nunca conheci ninguém que tivesse tanto medo de morrer..tal como eu..tal como tu..
Continuo a olhar para ti e penso, eu agora tenho o poder de te pedir para acordares, e tu acordas, ainda agora te olhei, pedi para mim, tu sentiste e acordaste…estranho? não sei...mas e amanha? Amanha quando eu te vir e pensar que estas a dormir, quando eu te pedir para acordares e tu não me fizeres a vontade? Como vai ser ?
Não me deixes...
No meio disto tudo, pedia para te dar um bocadinho da minha forca… tu não te negas a viver, simplesmente tu não consegues..não tens o que te puxe..eu não te chego..
Mas acredito que se fosse antes, tu conseguias..e superavas tudo..
Sabes o que e, teres alguém que gosta de mim, mais do que a si próprio? alguém que faz das tripas coração só para me ver sorrir..para me dar tudo o que eu necessitava..
tu passavas noites a chorar por pensar que eu passava fome.. Tu ficavas horas a contar o dinheiro para saber se ele chegava para acabar o meu curso…para eu ser alguém..
E hoje, antes de ir ao teu encontro, passei onde ontem, eu era criança…olhei as palmeiras. Relembrei um jardim, e lembrei um lugar onde antes haviam bancos.. Vi uma arvore que já não existe, lembro-me de me lembrar que tinha resina, e eu ainda não sabia o que era..ate te perguntar e dizeres em linguagem de menina, que era o sangue da arvore..
Este e talvez um dos sítios, onde se me perguntarem, não posso negar que cresci ali..
Agora antes de passar a tua casa, vi a tua rua.. a calcada onde fiz feridas que sararam depressa, com a tua ajuda..onde andei horas a sorrir e a pedalar quando ganhei a minha primeira bicicleta..dada por ti..
Entrei no café onde gosto tanto de ir dar um beijinho aquelas pessoas que me viram crescer.
Entretanto, encontrei o avo…falei-lhe e disse, vou agora dar-lhe o jantar lá a casa, ele olhou para mim, e disse-me que tinhas ido novamente para o hospital…que estava lá desde manha..
Nisto, apressei o passo..fui ter com a avo, e deparei-me com ela num choro interminável..pensei o pior..e ela disse me que se não melhorares ate as 9 e meia da noite..que tens de ir para Évora..
eu não sabia de nada..ninguém me diz nada..como e que eu posso andar descansada sabendo que andas a sofrer assim?
eu quero-te sempre perto de mim..tu sabes.. mas, não me pecas para entender o que e ver-te a sofrer numa cama..a ver que vais para o hospital a toda a hora levar soro.. a ver que não tens melhoras.. e eu não posso fazer nada.. estou impotente ao mais alto nível..nem a minha presença te faz sorrir já.. porque não consegues mexer os músculos da cara para o fazer..eu compreendo..
Entende só...
Eu adoro-te.
Não me deixes..
31-01-09
Ultimamente preenches o meu pensamento, e hoje dei por mim a pensar…Quando me ias buscar à escola, levavas-me para casa, davas-me o lanche, e deixavas-me ver um bocadinho dos meus desenhos animados preferidos, mas só com a condição de eu dormir a sesta a seguir…
Lembro-me também, de ter medo de subir as escadas para ir ao teu quarto, mas lembro-me que quando as subia, tinha os meus brinquedos ao pé da janela, onde batia um sol perfeito…Tenho essa imagem em mim, desde que me conheço.
Ainda me lembro da tua cama enorme, e de quando dormia contigo… lembro-me da cozinha, onde o frigorifico já não tinha nada lá dentro, pois passaste a ficar em casa da avó, e a tua casa deixou de ser o teu palácio.
Contudo, não deixaste de falar nela, e aos 87 anos, ainda te ouvia dizer que querias voltar para lá.
Tínhamos brigas de meio-dia, porque tu não querias cortar o telefone…lembraste?
Nem o telefone, nem a água, nem a luz… e quando começou a chover lá dentro, foste à câmara reclamar, e não saíste de lá até te irem arranjar a casa…
Os homens já não te podiam ouvir, coitados…
Digo isto porque, quando tu querias realmente uma coisa e a punhas na cabeça, tinhas de levar a tua avante.
Ainda hoje és assim, orgulho-me de ter um bocadinho disto de ti, de me teres ensinado a nunca desistir daquilo que queremos, e a insistir quando vale a pena.
Tinha em ti um modelo de alguém que era intocável, que era imune a tudo o que era mau.
Tinhas as tuas queixas claro, como toda a gente, mas sempre foste forte…Alias, acredito que a palavra “forte” só exista por tua causa.
E nunca pensei ser possível ver-te sofrer como estou a ver agora…como estou a sentir agora…
Ainda ontem, estavas a levar soro desde manhã, não vias ninguém, e eu cheguei perto de ti…
Olhaste-me, e disseste: -Pede o dinheiro à avó!
Como quem diz, eu posso já não estar aqui para to dar…
Chorei, e agarrei-me a ti sem falar…Tu gemias com tanta dor…Não paravas de tremer, até reviravas os olhos…
Fui buscar-te água, e fiquei à tua cabeceira.
Quando me levantei, agarraste-me e disseste, “não me deixes aqui…”
A força como o fizeste disse-mo…
Eu não conseguia ler as palavras em ti…Não dizias coisa com coisa…
Ficámos horas nisto.
Entretanto a avó chegou.
Estive um bocadinho com ela enquanto estavas a levar soro.
Peguei na mão da avó para não se sentir sozinha…E ela começou a perder os sentidos, e desmaiou-me nos braços…
Assustei-me! Gritei por ajuda, senti-me perdida.
A avó sozinha não aguenta, e ao ouvir-te gritar, e ao ter a avó nos braços…Desesperei.
Não sabia o que fazer, onde ir…
A avó voltou a si, e deitei-a nos bancos do hospital, descansou ali…E voltei para o teu lado, continuavas a tremer, e eu disse-te que estava ali contigo, que não saía dali... mas o teu corpo ignorou-me, e continuou a tremer.
E eu chorava, soluçava, sem ninguém ali comigo…Só tu.
Passaram horas, e melhoraste. Deram-te alta.
Fui contigo na ambulância, e fomos para casa… o caminho foi atribulado.
Tinhas muitas dores, e tive de te agarrar na maca com força para não sentires as lombas, e os buracos do chão.
Continuavas a tremer…e tinhas uma expressão de pânico.
Chegamos a casa, e ficaste ainda um pouco no corredor. Esperámos pelos bombeiros, e eu olhava-te e pensava como podia estar eu a ter um pesadelo que durasse tantas horas…dias.
Mas, tenho esperança que de um momento para o outro, eu acorde…e tu, estejas sentada no sofá, olhes para mim, e digas:
-Dou-te tanto dinheiro não sei para quê, continuas a usar calças rasgadas!
Quero ver-te a resmungar comigo como fazias…
Quero ver-te ali…Forte, de pé…E a sorrir, para mim.
Lembro-me também, de ter medo de subir as escadas para ir ao teu quarto, mas lembro-me que quando as subia, tinha os meus brinquedos ao pé da janela, onde batia um sol perfeito…Tenho essa imagem em mim, desde que me conheço.
Ainda me lembro da tua cama enorme, e de quando dormia contigo… lembro-me da cozinha, onde o frigorifico já não tinha nada lá dentro, pois passaste a ficar em casa da avó, e a tua casa deixou de ser o teu palácio.
Contudo, não deixaste de falar nela, e aos 87 anos, ainda te ouvia dizer que querias voltar para lá.
Tínhamos brigas de meio-dia, porque tu não querias cortar o telefone…lembraste?
Nem o telefone, nem a água, nem a luz… e quando começou a chover lá dentro, foste à câmara reclamar, e não saíste de lá até te irem arranjar a casa…
Os homens já não te podiam ouvir, coitados…
Digo isto porque, quando tu querias realmente uma coisa e a punhas na cabeça, tinhas de levar a tua avante.
Ainda hoje és assim, orgulho-me de ter um bocadinho disto de ti, de me teres ensinado a nunca desistir daquilo que queremos, e a insistir quando vale a pena.
Tinha em ti um modelo de alguém que era intocável, que era imune a tudo o que era mau.
Tinhas as tuas queixas claro, como toda a gente, mas sempre foste forte…Alias, acredito que a palavra “forte” só exista por tua causa.
E nunca pensei ser possível ver-te sofrer como estou a ver agora…como estou a sentir agora…
Ainda ontem, estavas a levar soro desde manhã, não vias ninguém, e eu cheguei perto de ti…
Olhaste-me, e disseste: -Pede o dinheiro à avó!
Como quem diz, eu posso já não estar aqui para to dar…
Chorei, e agarrei-me a ti sem falar…Tu gemias com tanta dor…Não paravas de tremer, até reviravas os olhos…
Fui buscar-te água, e fiquei à tua cabeceira.
Quando me levantei, agarraste-me e disseste, “não me deixes aqui…”
A força como o fizeste disse-mo…
Eu não conseguia ler as palavras em ti…Não dizias coisa com coisa…
Ficámos horas nisto.
Entretanto a avó chegou.
Estive um bocadinho com ela enquanto estavas a levar soro.
Peguei na mão da avó para não se sentir sozinha…E ela começou a perder os sentidos, e desmaiou-me nos braços…
Assustei-me! Gritei por ajuda, senti-me perdida.
A avó sozinha não aguenta, e ao ouvir-te gritar, e ao ter a avó nos braços…Desesperei.
Não sabia o que fazer, onde ir…
A avó voltou a si, e deitei-a nos bancos do hospital, descansou ali…E voltei para o teu lado, continuavas a tremer, e eu disse-te que estava ali contigo, que não saía dali... mas o teu corpo ignorou-me, e continuou a tremer.
E eu chorava, soluçava, sem ninguém ali comigo…Só tu.
Passaram horas, e melhoraste. Deram-te alta.
Fui contigo na ambulância, e fomos para casa… o caminho foi atribulado.
Tinhas muitas dores, e tive de te agarrar na maca com força para não sentires as lombas, e os buracos do chão.
Continuavas a tremer…e tinhas uma expressão de pânico.
Chegamos a casa, e ficaste ainda um pouco no corredor. Esperámos pelos bombeiros, e eu olhava-te e pensava como podia estar eu a ter um pesadelo que durasse tantas horas…dias.
Mas, tenho esperança que de um momento para o outro, eu acorde…e tu, estejas sentada no sofá, olhes para mim, e digas:
-Dou-te tanto dinheiro não sei para quê, continuas a usar calças rasgadas!
Quero ver-te a resmungar comigo como fazias…
Quero ver-te ali…Forte, de pé…E a sorrir, para mim.
01-02-09
Subscrever:
Comentários (Atom)
