segunda-feira, 17 de agosto de 2009




"Desperdiçamos o dia em que não nos rimos ao menos uma vez"

domingo, 16 de agosto de 2009

Protegias-me sempre... será disso ?
Tenho o coração quente, a medo.
E a cabeça no chão.
Os meus dias sao todos iguais...As noites não conseguem fazer o tempo valer a pena.
Os meus dias sao assim, amenos, fúteis...
Apetece-me um apetecer estranho. Quero correr até ao fundo da rua e voltar.
Mas habituei-me à monotonia do meu sofá.
Ele não se queixa de eu passar o dia inteiro em cima dele...Não se queixa se me estico e adormeço..Acho que ele até acha piada, é tão fofinho.
Habituei-me a acordar tarde, a permanecer na cama sem pressa de me levantar e sem programa.
Habituei-me a ser assim, a não esperar um simples convite de alguém.
O meu telemóvel está ligado e com som, mas não toca...
As férias passam por mim, num Verão longínquo que parece que não existe.
Levanto-me tarde, e não tomo o pequeno almoço à espera que a fome me traga o pensamento...bebo leite, e não almoço.
E lancho um iogurte liquido às 16h, talvez 17h.
E chego a jantar peixe, às 21h, talvez 22h.

Já nem digo que não ao peixe, e inclusive, como sopas sem serem passadas.
Tempo que se perde a passar uma sopa, e a dizer que não se gosta de peixe.


Estou é mal habituada...

Então habituei-me, (mal), a levantar-me tarde. Habituei-me, (mal), a não fazer de todo, uma refeição de jeito. Habituei-me, (tão mal), a não dizer nada aos meus amigos. Habituei-me a ficar isolada.
Habituei-me a ficar sentada no cadeirão de verga que tenho na varanda, e a ver passar os dias, agarrada ao computador a escrever, a pensar...
A procurar, apenas procurar. Procurava por procurar e procura-se muito melhor depois de se encontrar... Mas não encontrei.
Mas agora escrevo de longe e sem verbalizar o suficiente para que possa partilhar mais do que alguma certeza ácida que me sorri de frente. Agora escrevo de longe, aqui sentada. Agora procuro de longe, aqui sentada, o tempo que tenho a mais entre mãos...
A vida é feita de escolhas. Caminhos. Momentos. Perdas constantes.

A minha vida sempre foi feita de um só instante.
De um só caminho. De uma só escolha...
Quero recuperar o tempo esquecido! tempo que fazia o que o meu coração pedia.
O tempo que nao levava séculos a pensar se seria certo...Agia!
O tempo que sabia o que queria, e não tinha dúvidas...
Esse tempo que não sei para onde foi...
Quero ser novamente a pessoa que mais sorria...
Aquela pessoa que não sabia nada de nada...
A pessoa que tinha objectivos...sonhos.
A criança que fui outrora, mas que era bem mais adulta do que aquilo que sou agora...
A criança que não se permitia a chorar!
Que não se permitia a sofrer.
A criança que pintava a vida com um sorriso envergonhado...
Ela tinha a convicção que eu agora não possuo..
Era mais determinada e tinha mais força de viver...
Era mais alegre.
Tinha valores...
Eu já não sei o que são valores, não sei o que é a responsabilidade e o que é amar.
Eu afasto as pessoas de mim, aqueles que mais me querem bem.
Eu não deixo nada me fazer feliz, porque... o que é que realmente me faz feliz ?
A instabilidade dita a minha pessoa...
Faz-me alguém que eu própria desconheço...
Vejo a vida com uns óculos escuros cheios de reflexos. Não mostro o meu olhar porque não sei o que ele interpreta...
Mas sempre ouvi dizer que é preciso saber olhar para os olhos de uma criança para saber o que lhe vai na alma...
Se eu não consigo olhar e saber... é porque já não sou criança ?
Se não sou criança, muito menos sou adulta. Então sou o quê ?
E desconfio do destino toda a vida.
Mas entrego-lhe a minha vida nas mãos agora...
Se há algo que está escrito...Mostra-me então.
Dá-me rumo!
Faz-me voltar!
Ou torna-me uma pessoa bem mais feliz...do que aquela pessoa vazia que sou agora...


Imploro-te.