domingo, 16 de agosto de 2009

A vida é feita de escolhas. Caminhos. Momentos. Perdas constantes.

A minha vida sempre foi feita de um só instante.
De um só caminho. De uma só escolha...
Quero recuperar o tempo esquecido! tempo que fazia o que o meu coração pedia.
O tempo que nao levava séculos a pensar se seria certo...Agia!
O tempo que sabia o que queria, e não tinha dúvidas...
Esse tempo que não sei para onde foi...
Quero ser novamente a pessoa que mais sorria...
Aquela pessoa que não sabia nada de nada...
A pessoa que tinha objectivos...sonhos.
A criança que fui outrora, mas que era bem mais adulta do que aquilo que sou agora...
A criança que não se permitia a chorar!
Que não se permitia a sofrer.
A criança que pintava a vida com um sorriso envergonhado...
Ela tinha a convicção que eu agora não possuo..
Era mais determinada e tinha mais força de viver...
Era mais alegre.
Tinha valores...
Eu já não sei o que são valores, não sei o que é a responsabilidade e o que é amar.
Eu afasto as pessoas de mim, aqueles que mais me querem bem.
Eu não deixo nada me fazer feliz, porque... o que é que realmente me faz feliz ?
A instabilidade dita a minha pessoa...
Faz-me alguém que eu própria desconheço...
Vejo a vida com uns óculos escuros cheios de reflexos. Não mostro o meu olhar porque não sei o que ele interpreta...
Mas sempre ouvi dizer que é preciso saber olhar para os olhos de uma criança para saber o que lhe vai na alma...
Se eu não consigo olhar e saber... é porque já não sou criança ?
Se não sou criança, muito menos sou adulta. Então sou o quê ?
E desconfio do destino toda a vida.
Mas entrego-lhe a minha vida nas mãos agora...
Se há algo que está escrito...Mostra-me então.
Dá-me rumo!
Faz-me voltar!
Ou torna-me uma pessoa bem mais feliz...do que aquela pessoa vazia que sou agora...


Imploro-te.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quando já nada é intacto

quando tudo na vida vem em pedaços

e por dentro me rebenta um mar

quando a cidade alucina

num luar de néon e de neblina

e me esqueço de sonhar


Quando há qualquer coisa que nos sufoca

e os dias são iguais a outros dias

e por dentro o tempo é tão voraz

Quando de repente num segundo

qualquer coisa me vira do avesso

e desfaz cada certeza do meu mundo


Quando o sopro de uma jura

Faz balançar os dias

Quando os sonhos contaminam

Os medos e os cansaços

quando ainda me desarma

a tua companhia

e tudo o que a vida faz

Em mim


Quando o dia recomeça

e a noite ainda te prende nos seus braços

e por dentro te rebenta um mar


Quando a cidade te esconde

e o silêncio é o fundo das palavras

Que te esqueces de gritar



Mafalda Veiga
"(...) Emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso...
Nunca por chegar, ao fim..."

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fazes-me falta

Hoje é daqueles dias que não sei se hei-de ficar triste ou contente...
É daqueles dias que não sei se agarro um sorriso, ou se me deixo cair num choro de saudade sem fim...
Zanguei-me contigo por causa da bebida...Fazia-te mal! Eras cardíaco...
Zanguei-me contigo só dessa vez.
E perdoei-te em criança todas as tuas bebedeiras, todas as tuas chegadas a casa, tardissimo, em que me lembro de me pores a mim, tua neta, na rua...
Perdoei-te sempre, as facas que apontavas à minha mãe, à minha madrinha, e os mimos que sempre deste ao meu tio...
Mas enchias-te de orgulho de mim quando os teus vizinhos diziam: -" Tens uma neta tão bonita!"
Aí já davas voz ao assunto e falavas das tuas filhas e da tua mulher, mas acrescentavas sempre que saía ao avô, claro...
Eras terrível, mas tinhas bom coração.
Durante um tempo, paraste... ou eu assim quero acreditar...
Foram tempos calmos!
Habituei-me a esses tempos, e não te perdoei quando os deixaste!
Não te perdoei, e ainda hoje não te perdoo...
Ainda podias estar aqui hoje... ainda podias ver-me jogar, com um simples emblema da casa do benfica ao peito...sei que nada te ia roubar esse sorriso quando me visses, porque das tuas duas paixões, eu era aquela que tu gostavas mais...
Eu sei, era por eu ter um pai sportinguista e sempre ser do benfica como tu, ferrenha...
Dia de benfica, dia santo!
Em casa jantava-se mais cedo, e depois era silêncio absoluto, só se ouvia eu e tu, em frente ao televisor, a gritar até não termos voz quando era golo...
Foi um amor que aprendi contigo...

Vias-me jogar apenas na rua quando passavas antes de ires trabalhar, e era assim que começava o meu dia...eu dormia na mesma cama que a madrinha, o dia chegava, mas eu era pequenina e não conseguia passar, ela fazia questão que eu ficasse do lado da parede... Então assimque eu visse um raiozinho de sol que entrasse pela janela, despertava e abanava-a : "- madrinha, já é dia! Acorda..."
Ela não descansava nada, coitada... Mas eu insistia, metia-lhe as mãos nos olhos e abria-os, se não resultasse, ia abrir o cortinado.
Ela deixava-me passar, e eu ia ver televisão até serem 8h da manhã... sempre fui uma criança irrequieta e cheia de vida, nunca me contentei com pouco, e nunca aceitava um não.
"Não podes ir para a rua porque está a chover, não podes ir ter com o avô porque ele está ocupado com as ovelhas, não podes jogar à bola porque chegas a casa cheia de marcas nos joelhos, não andes descalça, não corras, não faças isto, não faças aquilo!"
Não ?
Claro que fazia, jogar à bola à chuva e chegar a casa cheia de lama...
Quantas crianças tiveram a sorte que eu tive ?
Quantas crianças com apenas 7, 8 anos, tiveram uma infância tão saudável como a minha ?
Ok, eu ficava cheia de marcas, sujava muita roupa...
Desobedecia...
Fazia o que queria, e levava muita porrada por isso, mas achas que me arrependo ? Avô ?
Não! Porque até eu, com apenas 8 anos, sabia que rir, era imperativo.
E até me ria quando a mãe me batia, escondia-me dela e pregava-lhe sustos...depois pagava por isso, mas valeu sempre a pena ...

Quantas vezes fugia eu por um buraco numa parede de uma casa que estava a ser construida ali ?
Tudo para ir ter contigo...
Percebe-se que com 8 anos, eu não podia ajudar-te em nada... No entanto, tu desfrutavas da minha companhia.
Gostavas de me ver correr no campo, acho que até gostavas quando me vias cair e me picava toda...
A imagem que ainda hoje me recordo, é de ti a meu lado, sentados numa pedra com o sol a pôr-se, a ouvir o relato do benfica na tua telefonia velha, que insistias em usar...
Era a tua companhia na minha ausência...
Gostavas muito da banda também, e não faltavas a nenhum concerto.
Chegava contigo a casa à hora de jantar, e quando não chegava contigo, dizias : "- Patrícia, está a ficar tarde, a tua mãe chateia-se. Vais andando que eu já te apanho."
Contrariava-te quase sempre, e esperava por ti nos tanques, mas enquanto tu davas a volta ao portão, eu pulava o muro, era assim...
E no dia a seguir, ia levar-te o almoço para poupar a avó de subir o monte, era uma desculpa minha para passar lá a tarde... a correr, atrás dos cães e com medo dos perus!
Que bichos irritantes...
Tinha amor em correr por aqueles montes, tinha amor quando apanhavas uma folha de oliveira e lhe espetavas um palito, entregavas-me para eu fazer de barco, no largo ribeiro que lá se encontrava...
Até tinha amor em encher-me de roupa nos dias chuvosos, e subir aqueles balcões de terra escorregadios, houve uma vez que escorreguei e só vi uma mão a agarrar-me...
Sabe-se lá como, sobrevivi.
Tinha amor ao teu feitio rude, herdei-o !


Herdei-te a feição de teimosa que não houve ninguém, e tem sempre razão.... Não me arrependo de ser assim, como tu foste.
Uma pessoa que adorava bolinhos de mel, pegaste-me essa mania, essa, e a dos suspiros...
Até me compravas sacos!
Fiquei triste, sabes ?
Sinto tanto a tua falta...
Acho que nunca te disse como gostava do teu sorriso malandro quando me olhavas...
Éramos mais parecidos do que tu julgavas! Saímos em defesa de qualquer um, uma vez saí em defesa, e quem acabou por levar com a minha raiva, foste tu!
Perdoa-me essa vez, mas não foste correcto... Não querias ver a novela, e eu disse-te que podias mudar de canal, mas a avó viu como fiquei triste e disse-te : "- deixa a miuda ver a novela um bocadinho!"
Não viste aquilo com bons olhos, e gritaste com ela... até lhe agarraste o braço!
Assustaste-me, acreditas?
Corri para ti, e preguei-te um pontapé, pus-me à frente da avó a olhar para ti.
Eu tinha apenas 9 anos acabados de fazer...
Mas tinha um olhar profundo e um ar rebelde, como dizias...
E viste nos meus olhos como fiquei zangada...
És como eu. Viras as costas, mas ficas a pensar nas coisas!
Arrependeste, mas não dás o braço a torcer...
Perdemos tanto com isso, avô... tanto...
Deixei de te ver com tanta frequência, a tua casa passou a ser as tabernas.
Não sabes como me deixavas triste... E era onde te encontrava, bêbado e sozinho, agarrado ao copo de vinho.
Trocaste-me pelo álcool! Deixei de ser a tua companhia, e não o aceitava!
Mas limitava-me a ficar...
A avó veio viver connosco devido à doença, e ficaste sozinho.
A minha infância perdeu-se, os amigos que lá deixei, aqueles pedaços de relva que eu deixei para trás, e a horta, onde me despertava a curiosidade de fazer crescer coisas...
Mas a minha vida mudou.
Cresci a sentir falta desse tempo...
Todos os dias ouvia as pessoas a falarem de ti.
"- O teu avô ontem levou com uma garrafa de vinho no nariz!"
"- O teu avô agora anda com uma pistola daquelas de bolinhas para assustar os velhos do café!"
Eu só me podia rir das tuas parvoíces!
Criança grande, tu! Que nunca cresceu...
Mas via que estavas perdido...
O álcool fez-te perder no seu paladar...
Embebeu-te de mau estar...
Não estavas bem com a vida!
Vendeste as ovelhas, deixaste de ir ao meu campo...
Deixei de te ver...
Um dia, apareceste bêbado à minha casa, ofendeste a avó, pus-te na rua e sentaste-te no muro de onde caiste e partiste as flores à vizinha!
Que triste figura...
Acredita que desta não te perdoei...
Fiquei chateada, triste...
Não te queria ver à frente.
Passou uma semana talvez, e fui a uma festa de final de época de um clube onde fazia torneios de Verão.
Quando regressei, passei por ti de carro onde estavas sentado no passeio à beira da estrada.
vejo-te agora, como te vi há dois anos atrás...
Sorriste para mim, e fizeste-me adeus como se soubesses que era a última vez...
Fiquei contente por te ver, não parecias zangado, e eu esqueci por momentos o que se tinha passado.
No dia a seguir fui para a praia com umas amigas e ao bater das 17horas recebi uma mensagem de sentimentos da prima Liliana.
A minha primeira reacção foi, enganou-se...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sireias

(Outubro.)


Um dia conheci-vos...
Em jantares, momentos, dias, noites que se fizeram manhãs...
Conheci-vos, e pensei...possas..em pouco tempo, elas são-me tudo...sei que nunca nos vamos afastar...sei que nunca vou fazer sofrer nenhuma delas.Sei que sempre lhes vou dar tudo de mim.Elas preocupam-se, entendem-me, protegem-me...ajudam-me...E nunca me deixam.
São as melhores... mas...quebrei as promessas todas que me fiz a mim...Por culpa minha, afastámo-nos...Apanharam-me o ano mais dificil de sempre, apanharam-me na maior confusão que foi a minha vida, que foi a minha cabeça...E isso transtornou-me, fiz o que não queria ter feito...não fui verdadeira convosco em alguns momentos. não sabia como lidar
com as coisas..não cresci quando tinha de crescer.E de certa, perdi-vos pela minha falta de atitude!Pela minha irresponsabilidade! E pela minha falta de bom senso...Perdi-vos, dando-vos a ideia errada de que são só umas simples amigas...Provavelmente vocês não sabem...Mas são mais do que as irmãs que eu nunca tive..Especiais em maneiras diferentes... Mas são tudo.
Culpando-me de novo...porque, a única culpada fui eu.Escrevi isto como num desabafo...mas não sei mais como vos hei-de pedir desculpas...não sei o que fazer para me perdoarem...E não são estas palavras, que vos vão trazer de volta..ou que vai mudar alguma coisa...não as escrevi com essa intenção.Dei por mim a ler papelinhos que escrevíamos umas as outras nos nossos jantares =)
Relembrando os momentos com muita saudade...
Maria, desculpa-me se em alguma situação, me descontrolei e te faltei ao respeito...Tudo o que te disse foi da boca para
fora...E apesar de não to dizer todos os dias...És muito querida, e so quem te conhece consegue saber e dar valor ao que é uma amizade...Gosto muito de ti.
Lena, foste de quem me aproximei primeiro...és um alguem muito especial...e a próxima vez que fugir de casa, digo-te com
antecedência para juntares mais 3.50 para me emprestares =)És unica...A tua preocupaçao com toda a gente, e esse teu bom humor, fazem de ti uma pessoa espectacular.Só sinto, e não consigo dizer mais nada de ti xuxu. mas tu sabes que eu te amo buedas xD
Madalena...Um simples descer de rua foi suficiente para te abrir o livro, contei-te a minha vida sem sequer me perguntares o nome que já
sabias...Não foi da bebida...Mas senti um à vontade tao grande em ti, que me fez contar-te tudo assim...Não sei se era por eu ser a mais nova do grupo...mas sempre me aconselhas-te, me ajudas-te e me proteges-te, mesmo quando uma
punk maluca me atirou um copo de vidro à cabeça, que como tu dizes...não me matou porque não calhou...tu foste atrás dela...Vias-me mal, preocupada, ou triste...e com um simples sorriso mudavas-me o ser. A tua alegria contagia toda a gente...A tua maneira de estar com a vida...tudo. És de facto uma pessoa extraordinaria e muito especial para mim.Podia dizer inumeras coisas sobre ti, que nunca ninguém conseguiria perceber ao ler isto. So mesmo conhecendo-te.E ao te conhecerem a ti, percebiam, que, Madalena Santa Marta não é apenas uma beta... é sim a minha beta preferida! =)





" Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve pra longe de nós, e que um dia o tempo pareça perdido...Mesmo assim eu vou gostar sempre muito de ti, e sabes porquê?
as coisas que eu sei, são coisas que eu somente antes não sabia...
Adoro-te, principio de uma grande amizade empilhadora."



Disseram-me uma vez, escrito num papel que serviu de toalha de mesa num dos jantares, de noites que perduram para sempre...

Adoro-vos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Seven Seconds Away...


O teu olhar penetrante, esmaga-me o corpo, e a mente, quando te entregas a mim.
Quando brincas comigo...
Quando o dizes...
E quando fazemos amor sem dar conta..
O teu sorriso provoca-me!
De forma tão leve e suave...que chega a doer de tanta ternura...de tanto carinho...
Nunca sei onde estou, e porquê! Perco-me em ti..
Culpo-te!
O teu beijo mata-me a sede...
Dás-me a mão...Dou-te um olhar...
É justo!! Mas não concordas!
Queres mais...sempre mais...
Amo-te assim.
Exigente de ti, e de mim.
Mas humilde em nós...
Faltas-me o ar... Sufocas-me de alegria!
Sufocas-me de paixão..
Asfixias-me de amor...
Nunca morri tão bem..
Dá-me um mimo.
Faz-te minha...!
Perde-me o conhecimento..
Sente o meu paladar..
Toca-me a alma...
Dá-me um sussurro, ou uma brisa do teu ar no meu ouvido..
Põe-me a mão no coração..
Sente-o teu!
Agora beija-me...
Consegues ouvir?
Consegues ver?
Somos nós?..
É uma emoção talvez...
Sentimento certo?
Um arrepio..!
É um quarto sem paredes, numa cama sem colchão...É uma televisão a preto e branco, onde colocas a cor quando mudas de canal..
É um entregar a mim..
É um suspiro de prazer..
É um Amo-te assim..
E sinto o teu transpirar em cada poro do meu corpo...
Abraças-me num pertence.
E gritas sem te fazeres ouvir...
Respondo-te em doces palavras sem me teres perguntado.
És vida em mim..
E torno frases banais, em sentimentos reais, verdadeiros.
Não é um Amo-te assim...
Frágil...
É um Amo-te convicto. Forte. Louco...
Mas certo.
Sempre, é vago...
Eterno?
Eterno é sentido, é vontade..
Eterno és tu.
Eterno sou eu...
Eterno, certo, louco...é o amor que eu sinto por ti...

Hoje.
Amanhã..
Sempre...


Eternamente, eterno.




Amo-te.


quarta-feira, 4 de março de 2009

03-03-2009




Um fogo que nem o tempo e a distância conseguem apagar...