quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Em busca das palavras

Ás vezes, oiço o vento passar.
Vejo as suas formas, sinto o seu sabor...Grito-lhe, mas ele não deixa passar o eco.
Ás vezes, oiço o mar.
Pego as conchas onde não tenho pé...Abro os olhos na água salgada, e sinto o doce sabor do sal.
Por vezes, ponho a mão no céu, agarro as estrelas, puxo o sol com as minhas mãos frias, que nem ele consegue aquecer.
Ás vezes, apanho uma pedra e dou-lhe vida. Dou-lhe alma. Dou-lhe palavras!
Ás vezes, faço crescer uma lágrima no sorriso, faço uma planta germinar, faço uma estrada não ter fim, e faço a lua ficar sentada no chão, de pernas cruzadas!
Mas nem sempre sonho acordada, nem sempre como quando tenho fome.
Nem sempre faço o que tem de ser feito.
Sorriu quando não pode ser, choro quando não pode ser, e sou assim!
Mas quase sempre estou errada, digo não...e sou mimada!
Mas, faço-me sorrir e toda a gente me perdoa...toda a gente me dá a mão, me levanta e faz crescer.
E nisto, sou uma música, sou um livro, um lugar, um pensamento, um desejo. Sou um objecto, um caminho por vezes sem sentido próprio. Sou uma noite de chuva, um dia de sol...ou uma tarde de ventania. Sou uma página, sou uma nota musical, uma memória ou uma gota de água...um raio de sol, ou uma brisa.
Ou sou apenas um quadro de parede, com uma imagem desfocada, numa parede branca, com relevo.
Posso ser o teu cachecol?
Ou as luvas que não usas...
Podia ser o teu relógio que tanto adoro, e dir-te-ia as horas todos os dias...sem excepção!
Ou podia ser o teu telemóvel, e o meu nome na tua lista de contactos...
Podia ser o teu rasgo de sorriso..ou o brilho no teu olhar.
Deixavas-me ser o teu abraço?
Deixavas-me ser o teu beijo?
Deixavas-me ser os teus passos?
Os teus gestos todos, num só?
Deixavas-me ser o teu calor, nas noites frias?
Ou só a tatuagem da nossa vida, que não se vê na tua pele?
Deixavas-me reconstruir um sonho?
Deixas?
Deixa-me então dar-te o que sou, agora, hoje.
Um abraço, um sorriso. Um abrigo. Teu...

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